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    September 14

    Concurso CERON/2006/CONESUL/Economista

    Tabela 2 (Continuação):
     
     

    DESPESAS

    ADMINISTRATIVAS

     

    15.000

    15.000

    15.000

    15.000

    15.000

    15.000

    15.000

    15.000

    15.000

    15.000

    15.000

    DESPESAS FINANCEIRAS

     

    70.000

    70.000

    63.000

    56.000

    49.000

    42.000

    35.000

    28.000

    21.000

    14.000

    7.000

    AMORTIZAÇÃO

     DO EMPRÉSTIMO

     

     

    35.000

    35.000

    35.000

    35.000

    35.000

    35.000

    35.000

    35.000

    35.000

    35.000

    IRPJ

     

    0

    10.062

    10.062

    10.062

    10.062

    10.062

    10.062

    10.062

    10.062

    10.062

    10.062

    ADICIONAL IRPJ

     

    0

    0

    0

    0

    0

    0

    0

    0

    0

    0

    0

    CONT. SOCIAL

    SOBRE O LUCRO

     

    5.793

    5.793

    5.793

    5.793

    5.793

    5.793

    5.793

    5.793

    5.793

    5.793

    5.793

    July 19

    Externalidades no Consumo e na Produção

     
    A ciência econômica procura explicar por que o nosso bem-estar é afetado não somente por nossas decisões de consumo, mas também pelas decisões de consumo e produção de outras pessoas e empresas. Por exemplo, a construção das hidrelétricas no complexo do Rio Madeira versus populações tradicionais e ambientalistas, empresas aéreas brasileiras versus passageiros, aeroportos obsoletos versus moradores amendrotados.
    No caso do Brasil, as externalidades surgem em sua forma mais negativa, como a corrupção ativa e passiva, o peculato, a improbidade administrativa e a falta de investimentos na educação, na saúde, na segurança pública e na infra-estrutura do país. Ao se fazer a análise das externalidades, percebe-se como o crescimento e o desenvolvimento econômico do país são afetados positivamente ou negativamente por elas, ou seja, quando o bem-estar de um consumidor ou o produto de uma empresa são afetados por decisões de consumo ou de produção de outros. Exemplos de externalidades negativas são a poluição emitida por uma fábrica que afeta a saúde dos moradores da região, o ruído provocado pelos aviões que operam em aeroporto próximo a zona residencial, a erosão decorrente da derrubada de uma floresta ou mata. Em contrapartida, são exemplos de externalidade positiva o aumento de fregueses de um shopping decorrente da propaganda realizada por consumidores satisfeitos, o aumento de segurança em uma cidade em virtude da contratação de força policial pelo estado, a melhoria nas condições de tráfego de automóveis e pedestres decorrente da instalação de novas estradas e passarelas.
    Em suma, se o bem-estar do consumidor ou o produto da empresa são afetados negativamente, dizemos que há externalidades negativas, no sentido contrário, dizemos que há externalidades positivas.  
     
     
    June 22

    Von Hayek, Prêmio Nobel de Economia de 1974

     
    Friedrich August von Hayek dividiu o Prêmio Nobel de Economia de 1974 com o sueco Gunnar Myrdal. Conhecido simplesmente como Prof. Hayek por seus alunos, nasceu em Viena, Áustria, em 1899 e faleceu em 1998. Por que é importante recordar von Hayek hoje, um período conturbado com a crise mundial de recessão e desemprego e os novos desafios colocados pela globalização, a desestatização, o movimento internacional de capitais e os ataques especulativos ao real e a outras moedas de países emergentes?

    Von Hayek representa, certamente, um pensador original, um economista que não se preocupou em pensar diferente da maioria de seus colegas, pois ele preferia a liberdade do setor privado em vez da ação do Estado como um melhor caminho para solução dos problemas econômicos. A observação de que vivemos hoje dias de recrudescimento de movimentos intelectuais contra o liberalismo e de programas que prevêem retorno à estatização, torna importante trazer alguns de seus pensamentos, que não constam normalmente dos textos colocados à disposição de nossos colegas estudantes, fato causado mais por desconhecimento de sua obra pelos próprios professores.

    Como breve resumo de sua biografia, tem-se que von Hayek era filho de um professor de Botânica em Viena e aos 28 anos de idade assumiu o cargo de diretor do Instituto Austríaco de Pesquisas Econômicas, onde ficou por 4 anos; foi professor de Economia na Universidade de Viena, onde seguiu a escola austríaca de Economia dos mestres Menger, Wieser, Böhm-Bawerk e Mises. Com 32 anos foi professor na London School of Economics, onde permaneceu até 1950, quando transferiu-se para a Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, famosa por defender a economia de mercado. De 1962 a 1969 foi dar aulas em Freiburg, na Alemanha, de tradição liberal. Suas principais obras são "A teoria monetária e o ciclo do comércio" (1929), "Preços e Produção" (1931), "A teoria pura do capital" (1941), "O caminho da servidão" (1944), "Individualismo e Ordem Econômica" (1948), "A Constituição da Liberdade" (1960), "Direito, Legislação e Liberdade" (1974) e "Desestatização do Dinheiro" (1974). Talvez seu livro mais importante tenha sido "O caminho da servidão", onde o autor adverte o mundo de que o planejamento centralizado da economia leva as sociedades ao totalitarismo, ou seja, à supressão das liberdades individuais mais preciosas do homem, e que se referem às liberdades de consumir e de produzir. Nesse último livro Hayek apresenta a discussão de quatro propostas básicas para os homens refletirem a respeito, e que são:

    as instituições que constituem a base da sociedade brotam da ação humana, mas não dos planos e do planejamento humanos; numa sociedade livre a lei é fundamentalmente natural, não fabricada pela simples vontade dos governantes, sejam monarcas ou maiorias democráticas; o Estado de direito constitui o primeiro e mais importante princípio da sociedade livre; o Estado de direito exige que os homens sejam tratados com igualdade, mas o Estado de direito, além de não exigir que os homens sejam igualados, também será minado por qualquer tentativa nesse sentido.

    O prof. Hayek é autor de teses as mais polêmicas, dentre as quais a desestatização da moeda, a completa liberdade econômica de produzir e de consumir e da democracia constituída de um órgão legislativo cujos componentes não devem ser vinculados a partidos políticos. A seguir, algumas frases mais interessantes do Prof. Hayek extraídas de artigos e livros, ou de declarações feitas em entrevistas:

    "O controle e limitação dos poderes do Estado nos países em desenvolvimento deve ser ainda mais forte, pois nesses países o mercado e a concorrência ainda estão em processo de descoberta e, portanto, é onde a liberdade deve ser assegurada para criar o máximo de oportunidades para que essas descobertas se façam."

    "Há funções que só podem ser cumpridas pelo governo e outras que ele cumpre melhor do que a iniciativa particular. Mas mesmo aí deve haver uma restrição: que essas atividades governamentais jamais tenham caráter de monopólio, que haja a concorrência da iniciativa particular."

    "O desemprego é resultado da rigidez dos salários impostos pelos sindicatos e os governos. Os poderes excessivos dos sindicatos é que têm causado um declínio da produtividade e constituído os maiores obstáculos ao desenvolvimento econômico e social."

    "Não devemos apenas à nossa inteligência a construção da ordem humana, que é hoje capaz de alimentar duzentas vezes mais gente do que havia na Terra há 5 mil anos. Há uma segunda herança que não é produto de nossa razão, uma herança moral que consiste na crença depositada na propriedade, honestidade e família, elementos que não podemos quantificar intelectualmente, mas que são os fundamentos de nossa civilização."

    "Deveríamos permitir que as empresas privadas criassem, em regime de concorrência, suas próprias moedas e o público, representado pelo mercado, saberia acolher as boas e rejeitar as más. Os bancos centrais simplesmente desapareceriam, assim como os sistemas monetário e financeiro mundiais."

    "O socialismo não passa de uma invenção de intelectuais, que tentaram dar-lhe uma justificação política. Não foi o proletariado que criou o socialismo, mas os intelectuais que têm a pretensão de saber mais do que o povo. O socialismo tem intenções até honrosas, mas é uma ilusão intelectual pretender que a razão humana possa reorganizar a sociedade tendo em vista objetivos que seriam conhecidos e previstos."

    "Karl Marx ensinou que o proletariado é uma criação do capitalismo. Na verdade, é. Mas não por exploração, como quer o marxismo. O capitalismo criou o proletariado na medida em que possibilitou a sobrevivência de pessoas que sem ele não teriam como viver."

    "Se os políticos não destruírem o mundo, seus sucessores pertencerão a uma nova geração, mais liberal e mais razoável. Temos assistido ao surgimento de uma elite que compartilha meu liberalismo radical. A escolha do liberalismo não é um problema de valor moral ou de preferência. Trata-se de uma questão científica objetiva. Quem consulta a história da humanidade tem ocasião de constatar que a ambição de programar o desenvolvimento social conduz às piores catástrofes."

    Instigante, não? E agora, que tal lermos o Prof. Hayek e discutirmos suas idéias?

    O Prêmio Nobel de Economia de 2001 e a Informação Assimétrica

     
    O Prêmio Nobel de Economia de 2001 foi dividido entre os economistas norte-americanos George Akerlof, A. Michael Spence e Joseph Stiglitz "pelas suas contribuições à moderna economia da informação", segundo a Real Academia Sueca de Ciências. O despacho que comunicou o prêmio dá realce às pesquisas efetuadas mais especificamente na área da "informação assimétrica".

    Esse assunto, que pertence à moderna teoria microeconômica, não aparece em textos um pouco mais antigos, embora ainda muito estudados, como em Bilas, Leftwich, Mansfield e Ferguson, aparecendo nos textos mais modernos da área, como em Varian, Eaton e Rubinfeld, entre outros. Mas o nosso país tem demonstrado que está atento ao desenvolvimento da teoria econômica, tanto que essa parte da matéria foi incluída no programa do concurso para o cargo de Analista do Banco Central deste ano.

    A teoria econômica considera que quando o mercado funciona em concorrência perfeita atinge todas as condições requeridas para o atingimento da máxima eficiência, no sentido de que o preço é menor, a produção maior e máximos os excedentes do consumidor e do produtor. Ocorre que, mesmo nessas condições, o mercado apresentaria falhas. Algumas dessas falhas, são a produção de bens indivisíveis, a tendência à concentração, riscos e incertezas, má distribuição da renda, as externalidades não consideradas nos preços e a informação assimétrica.

    A informação é um dos fatores mais importantes para o atingimento da eficiência do mercado, pois através dela os agentes podem ajustar os níveis de produção e de preços que levam ao máximo de bem-estar. Quando a informação não é completa, ocorre uma falha, que resulta em benefício de uma parte em detrimento de outra. Esse é o caso da informação assimétrica. São exemplos os casos em que os vendedores têm mais informações a respeito de seu produto do que o comprador, os trabalhadores em relação aos empregadores e os administradores de empresas em relação aos proprietários das mesmas.

    O Risco Moral (Moral Hazard) - Professor Hélio Socolik

     
    Devem os países com situações econômicas mesmo graves receberem ajuda internacional favorecida? As recentes crises da Argentina, do Brasil e outras nações emergentes têm trazido ao debate o risco moral de os países beneficiados não fazerem jus a essa ajuda.

    O risco moral, ou moral hazard, em inglês, é estudado na teoria microeconômica, e corresponde ao comportamento de uma pessoa ou agente econômico que, ao receber determinado tipo de cobertura ou seguro para suas ações, diminui os cuidados correspondentes a essas ações. VARIAN coloca o exemplo do dono de uma bicicleta que, após fazer um seguro contra o seu furto, passa a descuidar da guarda da mesma e, com isso, aumenta o próprio risco de furto. RUBINFELD dá o exemplo de uma empresa que, após fazer um seguro contra incêndio, desativa os sistemas internos de prevenção. EATON menciona um professor que não atende um aluno que quer antecipar o dia da prova, para poder viajar , pois teme que este divulgue o seu conteúdo aos colegas. Há também outros casos: uma pessoa que, com o seguro saúde, diminui os cuidados com a sua alimentação e condição física, ficando mais propenso a doenças e um motorista que, com o seguro de vida, passa a correr mais e a ficar menos prudente no trânsito.

    O problema do risco moral, que tem de ser assumido pelas empresas seguradoras, leva-as a necessitar majorar os preços das apólices. Como as pessoas vão se descuidar da guarda da bicicleta e as empresas de se prevenir contra incêndios, a freqüência de furtos e de incêndios, e também de doenças e de acidentes de trânsito deve aumentar, o que vai obrigar as empresas seguradoras a majorar o valor dos seguros. Nesse caso, vai ocorrer o que a teoria econômica chama de seleção adversa, ou seja, as pessoas e empresas mais prudentes e que se cuidam mais serão prejudicadas pelo aumento do seguro, o que vai afastá-las e resultar em prejuízo ainda maior para as empresas seguradoras.

    Com relação ao mercado financeiro, discute-se se o sistema bancário deve ser protegido contra dificuldades originadas de inadimplência, se estas são causadas pelo fato de os próprios bancos não terem sido mais cautelosos na seleção de empréstimos, e se os depositantes devem ter os seus depósitos protegidos contra essas crises, quando cabe aos clientes selecionarem com mais cuidado as instituições merecedoras da guarda de suas poupanças. O risco moral dessa proteção, portanto, seria a continuidade do descuido.

    Voltando ao caso da Argentina e do Brasil, coloca-se, com base no moral hazard, que a ausência de socorro financeiro faria com que as populações desses países passassem a pressionar seus governos por adoção de medidas mais enérgicas de aumento da eficiência econômica, diminuição dos custos de produção, aperfeiçoamento do sistema tributário e diminuição das desigualdades e da corrupção. Ao contrário, a ajuda financeira automática seria um paliativo que serviria apenas como um alívio temporário para as finanças, mantendo ativas as causas de sua precária situação econômica e social.

    A Preocupação da Sociedade com a Pobreza - Professor Hélio Socolik

     
    Observamos diariamente na mídia a preocupação de muitos políticos, intelectuais e a sociedade em geral com a pobreza e como diminuí-la. Mas o interessante é analisar-se as diversas "soluções" que são apresentadas para diminuir o número de pobres ou pelo menos o de miseráveis do nosso país. Essas soluções possuem características comuns, como o preconceito e a não analise dos possíveis efeitos dessas pseudo-soluções sobre a sociedade em geral e a própria pobreza. Como exemplo, vou referir-me a um pequeno artigo de um analista a respeito desse tema, do qual vou destacar alguns pontos e comentá-los rapidamente. " O mercado (que busca o maior lucro) elimina e marginaliza ainda mais os pobres". Este é um preconceito comum. O que é o mercado? É simplesmente qualquer local onde se encontram aqueles que demandam certo produto e aqueles que o oferecem. Numa sociedade livre, o lucro é a motivação que faz determinadas pessoas utilizarem suas energias para procurarem satisfazer as necessidades e os desejos de outras pessoas por mercadorias e serviços. A possibilidade de lucro é, portanto, o motor que gera produção, empregos e renda. A outra opção, sem o mercado, seria um órgão governamental decidir o que devemos produzir e consumir, experiência que já foi tentada em várias partes do mundo sem o sucesso esperado. E quando os lucros de mercado são altos, isso significa duas coisas: primeiro, que o produto tem larga aceitação; segundo, que novas firmas devem ingressar no mercado para repartir esses lucros, gerando mais emprego e renda. " O Parlamento deveria aprovar uma reforma tributária para destinar R$ 35 bilhões por ano, durante 5 anos para os pobres, originados de impostos sobre as rendas e as riquezas". Essa medida desperta as seguintes questões quanto à sua eficácia: primeiro, quem seriam seus potenciais beneficiários; segundo, se tal medida não estimularia a própria situação de pobreza e desestimularia, em conseqüência, a busca de aperfeiçoamento individual; terceiro, como ficaria a situação desse grupo no final dos 5 anos; não continuariam pobres? Além disso, a idéia de se obter esses recursos com mais impostos (sobre a renda e a riqueza) esbarra na indisposição atual da sociedade de pagar mais impostos. Nova tributação sobre a renda e a riqueza traz a idéia de confisco sobre as rendas de quem trabalha e se esforça. Nunca é demais lembrar que a maior alíquota do imposto de renda, hoje, de 27,5%, já atinge as remunerações acima de R$ 2.326 mensais, nível que não é tão alto assim. Isso sem contar as contribuições previdenciárias e os impostos que incidem sobre os preços de tudo que se consome. A atual carga tributária brasileira já chega a 36% do PIB, índice que é considerado asfixiante, tanto para os produtores como os consumidores. Mais impostos poderiam inibir ainda mais a criação de riquezas, com efeitos negativos sobre os empregos e criando ainda mais pobres. "É preciso desencadear um movimento de massa para acabar com a pobreza como se acabou com a escravidão no século passado".  Ninguém pode ser contrário a essa idéia. E aí vão algumas sugestões minhas que esse movimento pode abraçar: melhorar a educação do país, utilizando também as igrejas e os religiosos para a missão; transmitir aos pobres e necessitados noções mais realistas sobre o papel do mercado, do lucro e do esforço individual para a criação de renda e riqueza; deixar de se insuflar os mais humildes contra a riqueza, pois esta deve ser a ambição de todos; devem ser transmitidos os numerosos exemplos de pessoas que se esforçaram para produzir algo de útil para os demais, e por isso foram recompensados pelo mercado; deve-se ensinar que a riqueza é conseqüência do esforço e da perseverança, e que devemos optar pela riqueza, e não pela pobreza; e ensinar que a natalidade deve ser responsável, isto é, não se deve procriar para depois simplesmente transferir as obrigações da criação dos filhos para a sociedade em geral.

    April 18

    $ 2.000.000.000.000

     

     

     

    Dois trilhões: dois mil bilhões de dólares.

     

    Imagine uma pilha de notas de 100 dólares alta 40 vezes o Monte Everest (350 Km!).

    Esse é o custo que os Estados Unidos poderão pagar para a guerra no Iraque entre 2003 e 2010. Esse cálculo é de Joseph Stigliz, prêmio Nobel de economia e opositor da guerra no Iraque. Ele considera os aumentos do petróleo, como também as pensões que o Estado deverá desembolsar às viúvas dos soldados mortos e aos inválidos de guerra. A estimativa mais provável é que os custos fiquem em torno de 1026 e 1854 bilhões de dólares, mas a situação pode degenerar. Em seus cálculos, Stiglitz considerou também a progressiva diminuição do contigente do exército americano.

     

    (Fonte: Famiglia Cristiana) 

    November 21

    Ilhas de Excelência

     

    O setor público não é feito apenas de filas, atrasos, burocracia, ineficiência e reclamações. A sétima edição do Prêmio de Gestão Pública, coordenado pelo Ministério do Planejamento, mostra que o serviço público federal também é capaz de oferecer serviços com qualidade de primeiro mundo. De 74 instituições públicas inscritas, 13 foram selecionadas por ter conseguido, ao longo dos anos, implantar e manter práticas e rotinas de gestão capazes de melhorar de forma crescente seus resultados, tornando-os referências nacionais. O perfil dos premiados mostra o que está em questão não é tamanho, visibilidade ou importância estratégica, mas, sim, a capacidade de fazer com que as engrenagens da máquina funcionem de forma eficiente, constante e muito bem controlada. Em suma, o cidadão brasileiro está pagando uma das mais altas cargas tributárias do planeta, portanto, nos é devido por direito a prestação de serviços públicos de qualidade (respeito ao contribuinte).

    (Revista ISTOÉ, 02/03/2005, com adaptações).

    O Bispo Concupiscente

     

    Santo Agostinho (354-430), um dos grandes formuladores do catolicismo, uniu a teologia à filosofia. Sua contribuição para o estudo das taxas de juros, ainda que invonlutária, foi tremenda. Em suas Confissões, o bispo de Hipona, filho de Santa Mônica, conta que, ainda adolescente, clamou a Deus que lhe concedesse a castidade e a continência e fez uma ressalva - ansiava por essa graça, mas não de imediato. Ele admitiu que receava perder a concupiscência natural da puberdade. A atitude de Santo Agostinho traduz impecavelmente a urgência do ser humano em viver o aqui e o agora. Essa atitude de Santo Agostinho alia-se ao desejo de adiar quanto puder a dor e arcar com as conseqüências do desfrute presente - sejam elas de ordem financeira ou de saúde. É justamente essa urgência que explica a predisposição das pessoas, empresas e países a pagar altas taxas de juros para usufruir o mais rápido possível seu objeto de desejo. (Viver agora, pagar depois, (Fragmento). In: Economia e Negócios, Revista Veja. 30/03/2005, p. 90)

    October 30

    A Evolução do Pensamento Econômico - Do Homo Sapiens ao Homo Economicus

     

     

    A Ciência Econômica é uma das mais jovens das Ciências Sociais. Na verdade, sua história e evolução, como conjunto formal de conhecimento, começa a pouco mais de duzentos anos. As atividades humanas de que a Ciência Econômica se ocupa são as mais relevantes possíveis, tais como: a produção, a troca e a distribuição de bens, entre outras. Entretanto, não há dúvida de que estas atividades ocorreram em todas as épocas e nas mais diversas civilizações, no qual o pensamento dos homens foi sempre atraído para o exame dessas atividades essenciais. Muito tempo se passou, porém, antes que se descobrisse que elas podem ser organizadas de formas diferentes. Até que o problema especial de organizá-las surgisse, não houve necessidade de uma ciência especial da economia. Com o aparecimento desse problema, desenvolveu-se a Teoria Econômica para atendê-lo. Um dos primeiros estudiosos a sistematizar o pensamento econômico, foi o professor escocês, Adam Smith, em 1776, na obra intitulada de A Riqueza das Nações. Esta magistral exposição de idéias econômicas granjeou-lhe o título de “fundador da Economia”. Em sua obra, descreve seu princípio da “Mão Invisível”, defendendo a idéia de que cada indivíduo, se deixado a perseguir seu próprio interesse sem qualquer interferência do Estado, seria levado, como que por uma mão invisível, a realizar o melhor para sociedade. Em outras palavras, o auto-interesse leva o homem à ação, mas sozinho não representa impulso suficiente, além disso, os homens devem, também, pensar racionalmente, se desejam tomas as decisões certas. Esta exigência, em última análise, levou os economistas a introduzir o conceito do homem econômico, ou seja, a noção de que cada indivíduo da sociedade, quer seja trabalhador, empresário, consumidor ou investidor, é motivado por forças econômicas e, por conseqüência, sempre agirá de forma a obter o máximo de satisfação com um mínimo de sacrifício ou custo. Para um homem de negócios, ou empresário, esta satisfação pode tomar a forma de lucros; para um trabalhador, pode ser um bom salário ou lazer; para um consumidor, ela pode ser o prazer que obtém dos bens que compra. O economista moderno conhece estes pontos profundamente e reconhece que nem sempre são realistas. Pelo fato, de que existem pessoas que podem ser motivadas por forças que não o auto-interesse. A hipótese do homem econômico, se levada ao seu extremo lógico, requereria que cada indivíduo tivesse a mente de um computador a fim de solucionar toda a espécie de problemas que se lhe deparam em suas atividades econômicas. Contudo, a hipótese do homem econômico realmente serve como uma aproximação razoável da forma pela qual as pessoas tendem a pautar o seu comportamento econômico em uma sociedade. E em economia, exatamente como as outras ciências sociais, aproximações razoáveis são, com freqüência, o máximo que se pode alcançar.

    Autor: Carlos André B. de Jesus