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    August 05

    Questões de Economia - Perguntas e Respostas

     

     

    Pergunta: Como você explicaria os problemas básicos da economia de uma sociedade? Considere o caso específico do turismo no Brasil.

     

    Resposta: dada a limitação de recursos, podemos considerar três (3) problemas interdependentes que atuam sobre a organização econômica, a saber:

     

    1. Quais serão os bens e serviços que devem ser produzidos? E em que quantidades? Alimentos ou roupas? Serviços hospitalares ou serviços de transporte? Hotéis de cinco ou de três estrelas? Hotéis de aeroporto ou flats urbanos? Auto-estradas ou ferrovias? Jumbo aéreo ou supersônico?

     

    2. Como deverão ser produzidos os bens e serviços? De que forma e com quais recursos? Qual o processo tecnológico empregado? Máquinas ou homens? Computadores ou procedimentos manuais?

     

    3. Para quem deverão ser produzidos esses bens e serviços? Quem irá usufruir e obter benefícios do que for oferecido? Os ricos ou os pobres? Os turistas estrangeiros ou turistas brasileiros? Turistas de negócios ou turistas de férias? Comunidade nativa ou viajantes?

     

    Sendo os bens e serviços numerosos e heterogêneos, para cada um deles será atribuído determinado valor. O sistema de medidas usado na economia, que permite a troca de bens e serviços, é feito por meio dos preços. A passagem para o sistema de medidas é facilitada pelo uso da moeda e, assim, podemos considerar que o preço de um bem ou serviço não é mais do que o valor, medido em moeda, da unidade desse bem ou serviço. Logo, as perguntas “o que, como e para quem”, em uma economia capitalista, são fundamentalmente determinadas por um sistema de preços que vai definir, inclusive, a produção, a distribuição e o consumo dos bens e serviços turísticos.

     

    Tal fato é justificado pela teoria econômica quando assume que os indivíduos racionais maximizam suas funções utilidades sujeitas a suas restrições orçamentárias. Para tanto, qualquer alteração nos preços dos bens e serviços e no nível de renda dos consumidores deverá provocar modificações em suas atitudes e hábitos, fazendo com que comprem mais ou menos os produtos desejados, ocasionando alterações em sua produção pelas empresas.

     

    Pergunta: Quais são os principais agentes econômicos do turismo e quais seus objetivos fundamentais?

     

    Resposta: Sabemos que os principais agentes econômicos são os consumidores e as empresas. Os primeiros são responsáveis pelo consumo, objetivando a maximização de suas satisfações, e os segundos, pela produção dos diversos bens e serviços existentes na economia, procurando atingir o máximo de seus lucros.

     

    Das inúmeras necessidades dos consumidores e das diversas alternativas de produção das empresas, destacamos um tipo específico de bem e serviço econômico que pode ser considerado útil para os indivíduos, pois possui a qualidade de satisfazer e suas necessidades tanto de lazer, como profissionais e de negócios. São os bens e serviços turísticos ou, como passaremos a distingui-los, os produtos turísticos.

     

    Antes de definirmos produto turístico, devemos considerar os diversos grupos que participam e que afetam sua produção e seu consumo em qualquer país. A incorporação de suas perspectivas, de seus objetivos e de seus esforços conjugados são vitais para o desenvolvimento do turismo. Esses grupos são:

     

    1. Os turistas (consumidores), que buscam vários tipos de experiências ou satisfações psíquicas e físicas, tentando maximizar a utilidade ou a satisfação de suas viagens. A natureza dessas viagens determinará quase sempre os destinos escolhidos e os tipos de transporte, de alojamento e de atividades de lazer;

     

    2. As empresa (empresas turísticas), que vêem o turismo como uma oportunidade de aumentar ao máximo seus lucros, proporcionando os vários tipos de bens e serviços que o mercado (turístico) demanda;

     

    3. O governo, que assume o turismo como um fator econômico. Essa perspectiva se relaciona com a criação de empregos  e a geração de receitas que os cidadãos obtém com essa indústria, além das divisas obtidas pelo turismo internacional e do aumento na arrecadação de impostos devido aos gastos turísticos na área;

     

    4. A comunidade anfitriã, que, representada pelas pessoas nativas da região turística, vêem o turismo como um fator cultural. Para essa comunidade, um dos aspectos mais importantes é o efeito das inter-relações entre os residentes e os visitantes, além do reconhecimento do turismo como fonte econômica da renda local.

     

    Importa, no entanto, destacar que o principal requisito para o desenvolvimento de produtos turísticos é a compatibilidade de objetivos e de esforços combinados dos quatro grupos de agentes envolvidos nas atividades turísticas.

     

    Pergunta: O que são bens complementares e substitutos? Cite um exemplo específico para cada caso relacionado ao turismo de produtos diversos.

     

    Resposta: Os produtos turísticos, como qualquer tipo de bens ou de serviços econômicos, caracterizam-se em complementares ou substitutos. Os bens e serviços complementares são os consumidos juntamente com outros; por exemplo: o café com o açúcar, o pão com a manteiga, o carro com a gasolina etc. Os bens e serviços substitutos são os que passam a ser consumidos em troca de outros; por exemplo: o chá pelo café, a margarina pela manteiga, a carne de boi pela carne de peixe etc.

     

    Como já mencionamos, o produto do turismo é composto por quatro componentes fundamentais, a saber: o transporte, a alimentação, a acomodação e o entretenimento. Cada um pode ser considerado um bem ou serviço complementar do outro componente. Assim, por exemplo, ao criarmos um produto turístico, os serviços de transporte serão complementados com os de alojamento que, por sua vez, podem necessitar também dos serviços de alimentação e de entretenimento.

     

    Dentro de cada componente, no entanto, existirão inúmeros elementos que, por sua vez, serão bens ou serviços substitutos para cada um dos demais. Exemplificando, ao definir que tipo de transporte um turista utilizará em sua viagem, vemos que haverá diversas opções, como: o carro, o ônibus, o trem, o navio, o avião e outros. Se a escolha for pelo serviço de transporte aéreo, os demais elementos serão excluídos, muito embora, em outras viagens, o turista possa decidir substituir o transporte aéreo pelo ferroviário, pelo rodoviário ou pelo marítimo.

     

    Assim, esses elementos ou subcomponentes são classificados como bens ou serviços substitutos entre si.

    No caso do produto turístico, podemos imaginar, por exemplo, um grupo familiar que vive na cidade de São Paulo e que resolve conhecer a cidade do Rio de Janeiro. Nessa situação, a família poderá utilizar como meio de transporte: o carro, o ônibus, o trem, o avião, o navio, que são classificados como serviços substitutos entre si. Ao chegar ao local desejado, a família de turistas irá alojar-se em um hotel, visitará as atrações turísticas, almoçará nos restaurantes da moda, aspectos estes que são classificados como serviços complementares. Por vezes, as agências de viagens podem oferecer pacotes do tipo fly driver, que incluem o aluguel do carro, além da passagem de avião e da reserva de hotel.

     

    Sejam complementares ou substitutos, os produtos turísticos objetivam atender aos desejos e às necessidades humanas dos viajantes que crescem mais do que proporcionalmente à expansão e ao aperfeiçoamento dos recursos econômicos existentes.

    Para o entendimento dessa realidade, devemos analisá-la sob o enfoque dos aspectos da microeconomia e da macroeconomia do turismo.

     

    Pergunta: Explique o que entendemos por riqueza. Dê exemplos de bens e de serviços turísticos.

     

    Resposta: Vemos que são os próprios seres humanos que produzem e que consomem riquezas. No entanto, o que significa produzir? E o que quer dizer consumir?

     

    As pessoas experimentam diversas necessidades: precisam alimentar-se, vestir-se, morar, distrair-se, viajar etc., e a natureza em seu estado puro não está apta a satisfazê-las. Portanto, elas têm que trabalhar a fim de reduzir essa inadaptação fundamental da natureza, ou seja, devem suprir, pelo menos em parte, a escassez e a insatisfação dela decorrentes. Mais concretamente, o indivíduo é obrigado a dedicar-se a uma obra de transformação da natureza, ou seja, ele deve ser capaz de criar riquezas.

     

    Logo, produzir é precisamente criar essas riquezas, e consumir é satisfazer diretamente as necessidades humanas mediante a utilização daquelas. E, uma vez que o tempo renova as necessidades ilimitadas do ser humano, o processo é contínuo.

     

    O que chamamos, porém, de riqueza?

     

    Chama-se riqueza ao conjunto de coisas materiais e imateriais que são escassas. Assim, os bens e os serviços constituem a riqueza econômica. Suas principais características são a de ter unidade para os indivíduos e a de estar à disposição em quantidade limitada.

     

    Como exemplos de bens e serviços, temos:

     

    - bens: máquinas, edifícios, hotéis, quadros, jóias, alimentos, carros, ônibus, aviões etc.;

     

    - serviços: transportes, bancos, correios, restaurantes, cabeleireiros, agências de viagens, alojamentos etc.

     

    Dessa forma, se não houvesse bens e serviços relativamente escassos, denominados bens econômicos, dificilmente haveria o estudo da economia. Todos os bens seriam livres, existentes em quantidade ilimitada, como o ar atmosférico, a luz do sol e as areias do deserto.

     

    Tudo o que é raro e existe em menor quantidade do que as exigidas pelas necessidades humanas é considerado como bem econômico. Assim, em virtude dessa carência, necessita ser produzido, tomando a forma de bens (materiais ou tangíveis) ou de serviços (imateriais ou intangíveis). A essa transformação chamamos de atos de produção que se desenvolvem em três setores da economia:

     

    1. setor primário – são as atividades de produção que têm contato direto com a natureza. Por exemplo: a agricultura, a agropecuária, a pesca, a extração de minérios, a horticultura etc.;

     

    2. setor secundário – são as atividades de produção que abrangem as indústrias, tais como: de construção, de maquinaria, de energia etc.;

     

    3. setor terciário – são as atividades de produção que envolvem o comércio de todos os serviços. Por exemplo: de transporte, de lazer, de hospedagem, de comunicação, de educação etc.

     

    De forma geral, os bens e serviços produzidos em todos os setores constituem a riqueza de um país, que, segundo Adam Smith, significa o conjunto de bens e serviços que os homens podem dispor para fins econômicos.

     

    Pergunta: O que é utilidade? Explique o efeito da utilidade marginal decrescente no turismo.

     

    Resposta: Vemos que os bens e serviços são produzidos para satisfazer às necessidades humanas e utilizados pelos indivíduos, denominados de consumidores, que têm necessidades ilimitadas.

     

    Produzir, no sentido econômico, significa criar utilidade ou aumentar a utilidade dos bens econômicos. Tudo que é transformado chama-se produto. Por outro lado, sabemos que os fatores de produção terra, capital e trabalho, que entram na produção de determinado bem, são chamados de insumo. Atualmente, podemos incluir ainda a informação ou o know-how como um novo e moderno fator de produção com significante participação na criação dos bens e serviços turísticos.

     

    Mais precisamente, utilidade pode ser definida como a qualidade que possuem os bens econômicos de satisfazer às necessidades humanas. Ela é também considerada como o grau de satisfação que os consumidores atribuem aos bens e aos serviços. Por exemplo, a cerveja, para quem aprecia, tem uma utilidade muito grande, diferindo da que proporciona para aquele que não gosta de beber. Ou, ainda, uma viagem para o campo pode proporcionar utilidades diferentes e inferiores para um viajante que prefere uma viagem para a praia.

     

    Como o consumidor não pode ter tudo que deseja devido às restrições orçamentárias, ele é obrigado a escolher. Se preferir mais de um bem e serviço, é obrigado a aceitar uma quantidade menor de outros. No entanto, qualquer que seja a situação, o consumidor age racionalmente no sentido de obter a máxima satisfação de seus gastos.

     

    É importante lembrar, inclusive, que os bens e serviços apresentam a característica, à medida que são consumidos, em determinado período de tempo, de proporcionar unidades de satisfação cada vez menores do que as iniciais. Tal peculiaridade é denominada de princípio da utilidade marginal decrescente, e significa que a utilidade (satisfação) proporcionada para o consumidor de determinado bem ou serviço decresce à medida que ele consome mais unidades desse bem ou serviço. O exemplo clássico é o do “copo d’água”, ou seja, a satisfação (utilidade)  de bebê-lo quando estamos com sede decresce à medida que outros copos são tomados (dois, três, quatro, cinco copos d’água, no mesmo momento, não proporcionarão a mesma satisfação que o primeiro), conforme descrito na abordagem econômica da teoria clássica de Alfred Marshall.

     

    Além disso, o consumidor estabelece uma escala de preferências entre os bens e os serviços alternativos que deseja adquirir. Ou seja, o consumidor deve escolher os que lhe dão a máxima satisfação, uma vez que os recursos são limitados. Por exemplo, um turista, ao realizar uma viagem de férias, deve estabelecer uma escala de preferências dos lugares que deseja conhecer, bem como dos hotéis, do período de permanência, dos meios de transporte etc.

     

    A disponibilidade de tempo também é muito importante em economia e, em especial, nas atividades de turismo e lazer. Tratado como um recurso escasso, podendo ser alocado livremente por qualquer indivíduo, num período de 24 horas, o tempo é um bem tão valioso como o dinheiro. Tempo e lazer são variáveis associadas de maneira diretamente proporcional e, à medida que dispomos de maior tempo livre, podemos decidir por gastá-los da forma que melhor nos interessar, desde que também haja disponibilidade de renda e vontade. Excluindo o tempo usado para nossas necessidades  básicas e, inclusive, para o trabalho, o tempo restante é precioso e os princípios de utilidade devem ser aplicados para que o máximo de satisfação seja alcançado.Cada indivíduo, reconhecendo essa limitação temporal, obedece à lei da escolha racional optando por um consumo que propicie mais utilidade, como, por exemplo, em alternativas exclusivas: viagens, passeios, shopping, restaurantes, cinemas, jogos, parques ou apenas descanso. Logo, a decisão de consumo do turista é livre, mas, em função da teoria da utilidade, ele age preferindo a prioridade de um produto turístico que lhe traga maior prazer, alegria e benefício.    

    Questões de Economia - Perguntas e Respostas

     

     

     

    Pergunta: Segundo a política econômica keynesiana, como o governo deve agir para ativar a economia de um país? E para desaquecer a economia de um país?

     

    Resposta: A política econômica keynesiana está baseada nas políticas monetárias e fiscais. De forma simplificada, para ativar a economia, o governo pode reduzir os impostos e/ou aumentar seus gastos, pois isso aumenta a demanda. Para desativar, o governo deve agir de forma inversa, ou seja, reduzir seus gastos e/ou aumentar os impostos, medidas que certamente reduzirão a demanda.

     

    Os argumentos de Keynes influenciaram muito a política econômica dos países capitalistas. De modo geral, essas políticas revelaram-se eficientes e apresentaram resultados positivos no período pós-Segunda Guerra Mundial. O desemprego nos Estados Unidos ainda persistia, entre 1929 e 1939, quando a economia concentrou-se em um enorme esforço de guerra, provocando gastos governamentais fabulosos. Nesse momento, desapareceu o excedente de mão-de-obra, reduziu o desemprego, provocando o surgimento dos efeitos causados pelo multiplicador da renda.

     

    Keynes imaginava que sua doutrina econômica seria usada pelos países de forma criteriosa, visando sempre ao bem-estar social mundial. Entretanto, foi observado que, após a crise do petróleo dos anos 70 e a crise financeira do início dos anos 80, em sua grande maioria a situação das economias dos países em desenvolvimento apresentou graves problemas de dívidas interna e externa, de desemprego, de inflação e de dificuldades de crescimento econômico.

     

    Pergunta: A constante repetição de uma viagem, em curto intervalo de tempo, tem efeito análogo ao princípio da utilidade marginal decrescente estudado por Marshall? Explique como funciona.

     

    Resposta: Tal fato reveste-se de grande importância sob o aspecto psicológico e subjetivo da questão, especialmente estudado pelos efeitos do turismo. As viagens, quando realizadas repetidas vezes para um mesmo lugar, em curto período de tempo e sob as mesmas circunstâncias, incorrem no conceito de utilidade marginal decrescente. Ou seja, as primeiras unidades de consumo propiciarão uma satisfação que, ao decorrer do processo, decrescerão gradativamente até o momento de saturação.

     

    Pergunta: Segundo seu entendimento, qual é o significado da economia como ciência?

     

    Resposta: O problema econômico tem origem nas necessidades ilimitadas do ser humano e nas limitações dos recursos existentes para a satisfação daquelas. Se os indivíduos pudessem obter tudo que desejassem na haveria economia e os bens existentes no mundo seriam abundantes ou livres.

     

    O que se entende, porém, por economia?

     

    Há diversas definições contemporâneas que variam segundo diferentes enfoques, como, por exemplo:

     

    - economia é o estudo da riqueza;

     

    - economia é o estudo das atividades que, com ou sem dinheiro, envolvem transações de troca entre as pessoas;

     

    - economia é o estudo da forma pela qual a sociedade realiza a tarefa de organizar suas atividades de consumo, de produção e de distribuição;

     

    - economia é a ciência que examina a obtenção de condições do bem-estar das populações.

     

    Hoje existe certo consenso com relação a uma definição geral do tipo:

     

    - economia é o estudo de como os seres humanos e a sociedade decidem empregar recursos produtivos escassos que poderiam ter aplicações alternativas, para produzir várias mercadorias, ou seja, bens e serviços, e distribuí-las para o consumo, agora e no futuro, entre as diversas pessoas e grupos da sociedade.

     

    SAMUELSON, P.A.; NORDHAUS, W.D. Economia. 16. ed. Portugal: McGraw Hill, 1999. p. 3-7.

     

    Pergunta: O que significa necessidades ilimitadas?

     

    Resposta: Sabemos que o ser humano tem várias necessidades. Algumas são básicas ou primárias, como a alimentação, o vestuário, a moradia, a higiene, a auto-estima, a realização profissional etc. Outras são secundárias, como fumar, ir ao cinema, alugar um carro, viajar nas férias etc., ou seja, são desejadas depois de satisfeitas as necessidades básicas principais.

     

    Além disso, verificamos que essas necessidades são as mais variadas, diferindo para cada indivíduo, para cada classe social, para cada país, embora se caracterizando sempre por um número ilimitado, porque à medida que vão sendo satisfeitas, outras vão aparecendo. Por exemplo, suponha que uma pessoa já tenha viajado por todo o território brasileiro; certamente, estará desejando conhecer os Estados Unidos; tão logo satisfaça a essa necessidade, desejará viajar para a Europa e outros países do mundo.

     

    Lembre-se do conceito de economia: “economia é a alocação de recursos escassos, frente às necessidades humanas ilimitadas”.

     

    Pergunta: O que significam recursos escassos?

     

    Resposta: As pessoas experimentam diversas necessidades: precisam alimentar-se, vestir-se, morar, dormir, distrair-se, viajar etc., e a natureza em seu estado puro não está apta a satisfazê-las. Portanto, elas têm que trabalhar a fim de reduzir essa inadaptação fundamental da natureza, ou seja, devem suprir, pelo menos em parte, a escassez e a insatisfação dela decorrentes. Mais concretamente, o indivíduo é obrigado a dedicar-se a uma obra de transformação da natureza, ou seja, ele deve ser capaz de criar riquezas.

     

    Logo, produzir é precisamente criar essas riquezas, e consumir é satisfazer diretamente as necessidades humanas mediante a utilização daquelas. E, uma vez que o tempo renova as necessidades ilimitadas do ser humano, o processo é contínuo.

     

    O que chamamos, porém, de riqueza?

     

    Chama-se riqueza ao conjunto de coisas materiais e imateriais que são escassas. Assim, os bens e os serviços constituem a riqueza econômica. Suas principais características são a de ter unidade para os indivíduos e a de estar à disposição em quantidade limitada. Como exemplos de bens e serviços, temos:

     

    - bens: máquinas, edifícios, hotéis, quadros, jóias, alimentos, carros, ônibus, aviões etc.;

     

    - serviços: transportes, bancos, correios, restaurantes, cabeleireiros, agências de viagens, alojamentos etc.

     

    Dessa forma, se não houvesse bens e serviços relativamente escassos, denominados bens econômicos, dificilmente haveria o estudo da economia. Todos os bens seriam livres, existentes em quantidade ilimitada, como o ar atmosférico, a luz do sol e as areias do deserto.

     

    Tudo o que é raro e existe em menor quantidade do que as exigidas pelas necessidades humanas é considerado como bem econômico. Assim, em virtude dessa carência, necessita ser produzido, tomando a forma de bens (materiais ou tangíveis) ou de serviços (imateriais ou intangíveis). A essa transformação chamamos de atos de produção que se desenvolvem em três setores da economia:

     

    1. setor primário – são as atividades de produção que têm contato direto com a natureza. Por exemplo: a agricultura, a agropecuária, a pesca, a extração de minérios, a horticultura etc.;

     

    2. setor secundário – são as atividades de produção que abrangem as indústrias, tais como: de construção, de maquinaria, de energia etc.;

     

    3. setor terciário – são as atividades de produção que envolvem o comércio de todos os serviços. Por exemplo: de transporte, de lazer, de hospedagem, de comunicação, de educação etc.

     

    De forma geral, os bens e serviços produzidos em todos os setores constituem a riqueza de um país, que, segundo Adam Smith, significa o conjunto de bens e serviços que os homens podem dispor para fins econômicos. 

    Questões de Economia - Perguntas e Respostas

     
     
    Pergunta: O que é a propensão marginal a consumir (PMaC)? O que é propensão marginal a poupar (PMaP)?
     
    Resposta: Partindo da idéia de que cada aumento unitário da renda (Y) pode ser decomposto em consumo (C) e poupança (S), temos a seguinte formulação matemática:
    S = Y – C. Por exemplo, para cada acréscimo de 100 dólares na renda, 70 serão aplicados em consumo e 30 serão poupados. Essa porcentagem de aumento da renda aplicada em consumo foi chamada de propensão marginal a consumir (PMaC) que, nesse  caso, será de 0,7 (taxa unitária). Da mesma forma, a porcentagem que não foi gasta em consumo corresponde a 0,3 (taxa unitária), e é chamada de propensão marginal a poupar (PMaP). A soma de PMaC e PmaP deve corresponder à unidade um (1).
     
    Segundo a teoria macroeconômica de Keynes, quanto mais pobre for a sociedade, maior será sua propensão marginal a consumir (PMaC), pois deverá realizar a maior parcela de seus gastos em consumo. O contrário também deve ocorrer, ou seja, uma sociedade mais rica e desenvolvida economicamente tenderá a gastar menos em consumo, o que significa uma propensão marginal a consumir menor.
     
    No entanto, poupança macroeconômica não é dinheiro guardado, nem investimento pode ser considerado especulação financeira. Os empresários visam a expectativas de lucros futuros. Acreditando em suas atividades, tomam crédito do sistema bancário e aplicam em seus projetos, antecipando a geração de renda e, conseqüentemente, provocando aumento de poupança.
     
    Tomemos o seguinte exemplo: uma sociedade dispõe de 800 mil dólares, 80% serão distribuídos para os gastos de consumo (640 mil dólares) e 20% para a poupança (160 mil dólares). Se a renda aumentar para um (1) milhão de dólares, e for mantida a mesma proporção marginal para o consumo e a poupança, os gastos de consumo passarão a 800 mil e a poupança a 200 mil. Vemos, portanto, que o aumento da poupança é originado pelo aumento da renda.
     
    Pergunta: No sentido econômico, o que significa paradoxo da parcimônia?
     
    Resposta: Se as unidades familiares forem induzidas a reduzir seus gastos de consumo, o consumo global diminuirá e, conseqüentemente, induzirá a uma redução na renda e também na poupança.
     
    Em macroeconomia, a situação anteriormente descrita é conhecida como o paradoxo da parcimônia que, em outras palavras, considera que se todas as pessoas de uma sociedade resolvessem poupar, haveria redução nos níveis de investimentos e, consequentemente, da renda nacional, prejudicando a economia de forma global.
     
    A política econômica tem meios de agir sobre a poupança. Se desejar, por exemplo, incrementá-la, deve induzir um aumento na renda e não uma redução do consumo. Para Keynes, o determinante fundamental do investimento não é a poupança, e sim a expectativa de lucro do empresário. Tal expectativa dependerá de inúmeros fatores que fogem ao controle da própria economia.
     
    Pergunta: O que é preferência pela liquidez? Cite um exemplo.
     
    Resposta: É preciso saber também o que a teoria keynesiana assume como taxa de juros. Na visão clássica, a taxa de juros era considerada uma remuneração pelo sacrifício do adiamento do consumo. Keynes refuta essa idéia afirmando que os indivíduos que guardam seu dinheiro embaixo do colchão estão se sacrificando, mas não estão tendo remuneração. Essa atitude deve-se ao fato de preferirem a posse imediata do dinheiro, denominada preferência pela liquidez. Assim, Keynes passa a conceituar a taxa de juros como o prêmio que se paga pela desistência da liquidez. Por outro lado, a preferência pela liquidez assume motivos da ordem de transação, precaução e especulação.
     
    A determinação da taxa de juros é também influenciada pela quantidade de moeda em circulação. A oferta da moeda (M) é uma constante e é definida por critérios exógenos considerados pelas autoridades monetárias governamentais.
     
    Assim, a taxa de juros (i) é uma função da preferência pela liquidez (L) e da oferta de moeda (M), o que matematicamente pode ser representada por:
     
    i = f (L, M).
     
    Pergunta: Defina, de forma teórica e matemática, o conceito de multiplicador de investimentos, segundo a abordagem keynesiana?
     
    Resposta: Um aluno de John Maynard Keynes, Richard Kahn, formulou mediante uma análise macroeconômica o conceito o conceito de multiplicador do emprego. Suponhamos que o governo contrate trabalhadores para a construção de estradas. O salário recebido por esses empregados será destinado á compra de bens de consumo, o que provocará um aumento na produção desses bens. Mais e mais pessoas serão contratadas na fabricação de bens de consumo que, por sua vez, receberão salários e farão novos gastos. E assim, sucessivamente, o processo gerará novos mercados que necessitarão de mais mão-de-obra, eliminando gradativamente o desemprego existente e a ociosidade dos recursos produtivos.
     
    Segundo a teoria keynesiana, essa aplicação está relacionada à formulação do multiplicador de investimentos ou dos gastos, cuja explicação será apresentada na forma matemática a seguir.
     
    Suponhamos que a renda (Y) seja igual à soma do investimento (I) e do consumo (bY), considerando b como a propensão marginal a consumir.
     
    Qual seria a renda nesse modelo?
     
    Se Y = C + I e C = bY, então Y = bY + I
     
    Considerando, por exemplo, que: b = 0,8 e I = 200 dólares, temos:
     
    Y = 0,8Y + 200
     
    Portanto:
     
    1Y – 0,8Y = 200
    0,2Y = 200
     
    e,
     
    Y = 200 : 0,2 = 1.000 dólares
     
    Se injetarmos na economia um aumento de investimento no valor de 80 dólares, uma nova situação de renda ocorrerá:
     
    Y = 0,8Y + 280
    1Y – 0,8Y = 280
    0,2Y = 280
    Y = 280 : 0,2 = 1.400 dólares
     
    Portanto, um aumento de 80 dólares no investimento, de 200 para 280 dólares, gerou um aumento de renda, de 1000 para 1400 dólares, por meio do efeito multiplicador.
     
    Matematicamente, o multiplicador do investimento (k) pode ser expresso por:
     
    k = [1 : (1 – b)]
     
    Assim, o multiplicador de investimento indica quantas vezes a renda variará devido a determinada modificação do nível de investimento. Como o investimento está relacionado à propensão marginal a consumir (b), qualquer variação no investimento fará com que a renda se altere a um múltiplo desse investimento.
     
    Podemos consolidar todas essas idéias mediante dois exemplos aplicados à teoria econômica de Keynes:
     
    1. Suponhamos uma região em que a propensão marginal a consumir seja igual a 0,5 e que ocorra um aumento do investimento em empreendimentos de serviços no valor de 1.000 dólares (I = 1000). Quanto crescerá a renda dessa sociedade?
     
    Como:
     
    Delta Y = [1 : (1 – b)] . Delta I
     
    Substituindo-se pelos valores numéricos, temos:
     
    Delta Y = [1 : (1 – 0,5)] . 1.000
     
    Portanto,
     
    Delta Y = [1 : 0,5] . 1.000
    Delta Y = [2] . 1.000
     
    e, finalmente:
     
    Delta Y = 2.000
     
    Nesse caso, a renda será igual ao dobro do investimento em empreendimentos de serviços realizados.
     
    2. Suponhamos que o aumento do investimento em serviços seja também de 1.000 dólares (Delta Y = 1.000), mas a propensão marginal a consumir seja 0,9. Quanto aumentará a renda nessa nova situação?
     
    Como:
     
    Delta Y = [1 : (1 – b)] . Delta I
     
    Substituindo-se pelos valores numéricos, temos:
     
    Delta Y = [1 : (1 – 0,9)] . 1.000
     
    Portanto,
     
    Delta Y = [1 : 0,1] . 1.000
    Delta Y = [10] . 1.000
     
    e, finalmente:
     
    Delta Y = 10.000
     
    Nesse caso, a renda crescerá dez (10) vezes mais que o investimento em serviços realizados.
     
    Pergunta: Quanto crescerá a renda de um país, supondo que sua propensão marginal a consumir seja 0,8 e que ocorra um aumento de investimento de dois (2) milhões de dólares?
     
    Resposta:
     
    Como:
     
    Delta Y = [1 : (1 – b)] . Delta I
     
    Substituindo-se pelos valores numéricos, temos:
     
    Delta Y = [1 : (1 – 0,8)] . 2.000.000
     
    Portanto,
     
    Delta Y = [1 : 0,2] . 2.000.000
    Delta Y = [5] . 2.000.000
     
    e, finalmente:
     
    Delta Y = 10.000.000
     
    Nesse caso, a renda crescerá cinco (5) vezes mais que o investimento em serviços realizados.
    July 14

    Aula de Economia - Professor Carlos André

        

    CONCEITOS MACROECONÔMICOS BÁSICOS

     
    01. Qual das seguintes variáveis é mais adequadamente descrita como  pertencente à macroeconomia do que à microeconomia?
     
    a) O índice de preços das casas populares. (microeconomia)
    b) O percentual de desemprego nacional. (macroeconomia)
    c) O nível de vendas no varejo, numa capital. (microeconomia)
    d) A distribuição do emprego entre cada um dos setores industriais. (microeconomia)
    e) A evolução dos preços internacionais do café brasileiro. (microeconomia)
     
     
    Comentários:
     
    A mensuração da parcela dos recursos empregados na economia é essencialmente  uma questão macroeconômica, enquanto que a análise de até que ponto esses recursos estão bem alocados é uma questão microeconômica. Portanto o percentual de desemprego numa economia é uma variável que pertence ao objeto de estudo da macroeconomia.
     
    A teoria microeconômica pode ser descrita como de alocação de recursos, enquanto a teoria macroeconômica como de  utilização de recursos.
     
    A microeconomia e a macroeconomia são partes complementares da teoria econômica, não tendo, portanto, pontos de choques e controvérsias.
     
    A microeconomia estuda cada um dos mercados de bens e de fatores de produção.
     
    A microeconomia preocupa-se em estudar os efeitos, sobre a concorrência, da fusão entre duas das maiores empresas de determinado setor da economia.
     
    A microeconomia preocupa-se com o estudo do efeito  sobre a demanda agregada de aumento dos preços dos combustíveis.
     
    Classifica-se dentro da microeconomia, o estudo da repercussão sobre o preço do aço no aumento dos custos de energia elétrica.
     
    Classifica-se dentro da microeconomia, o estudo do custo, em termos de desemprego, da transferência de uma empresa de uma para outra cidade.
     
    A microeconomia preocupa-se com o desenvolvimento da teoria dos mercados de concorrência imperfeita ou monopolística.
     
    A microeconomia preocupa-se em estudar as causas pelas quais as economias não conseguem atingir a mais alta eficiência na alocação de recursos escassos e a aplicação de instrumentos que levam a esse objetivo.
     
    A análise microeconômica cuida, individualmente, do comportamento dos consumidores e produtores.
     
    A análise macroeconômica cuida dos estudo agregativo da atividade econômica, ocupando-se de magnitude globais, visando à determinação das condições de crescimento e de equilíbrio do sistema econômico.
     
    A macroeconomia ignora preços de cada mercadoria e serviço para se preocupar apenas com os índices gerais de preços.
     
    A macroeconomia não pode ser considerada mais importante do que a microeconomia, pelo fato de se referir a variáveis agregadas, e não a preços e produção de setores isolados, ambas são importantes para melhor compreensão da teoria econômica.
     
    A macroeconomia estuda o efeito, em termos de desemprego, da diminuição geral das tarifas de importação do País.
     
    A macroeconomia preocupa-se com as causas e aplicação de medidas para atenuar as flutuações econômicas de curto prazo.
     
    A macroeconomia estuda as causas do desemprego e a aplicação de medidas visando a sua diminuição.
     
    A macroeonomia preocupa-se com as causas dos processos inflacionários e a aplicação de medidas visando à diminuição dos aumentos de preços.
     
    A macroeconomia preocupa-se com as causas e as medidas para minimização dos déficits no Balanço de Pagamentos e nas contas públicas.
     
    July 12

    Aula de Economia - Professor Carlos André

     

     

     

    1. Princípios Macroeconômicos Básicos:

     

    1.1.1. Economia: É a alocação ótima de Recursos Escassos (limitados) frente aos desejos humanos ilimitados.

     

    1.1.2. Macroeconomia: É o estudo do comportamento econômico agregado. Na macroeconomia, analisamos os determinantes principais do nível de renda, do nível geral de preços, do nível total da produção,  do nível total de empregos, para a economia vista como um todo.

     

    1.1.3.  Microeconomia: A teoria microeconômica, ou teoria dos preços, estuda o comportamento econômico das unidades decisórias individuais, como consumidores, proprietários de recursos e negócios, em um sistema de livre empresa.

     

    1.2. Fatores de Produção ou Recursos Econômicos:

     

    1)       Mão – de – Obra  (Trabalho);

    2)       Capital (Máquinas, Equipamentos, Ferramentas; Edificações e Estoque);

    3)       Recursos Naturais ou Terra;

    4)       Tecnologia;

    5)       Capacidade Empresarial.

     

    1.3. Produto (P): É o valor em unidades monetárias dos bens e serviços finais produzidos por um país durante determinado período de tempo.

     

    1.4. Renda (R): É a remuneração dos fatores de produção, na forma de salários, aluguéis, juros e lucros.

     

    1.5. Consumo (C): São gastos feitos para satisfazer desejos individuais. Existem o consumo das famílias (C) e o consumo do governo (G).

     

    1.6. Produto Nacional: Resulta da soma de valores adicionados (ou dos produtos) de todas as empresas que compõem o aparelho de produção da economia nacional.

     

    1.7. Renda Nacional: É a soma das remunerações pagas aos fatores de produção ou recursos econômicos, tais como: 1) Mão – de – Obra  (Trabalho); 2) Capital (Máquinas, Equipamentos, Ferramentas; Edificações e Estoque); 3) Recursos Naturais ou Terra; 4) Tecnologia; 5) Capacidade Empresarial.

     

    1.8. Poupança (s): É a renda não consumida.

     

    1.9. Investimento (I): É a acumulação (aumento do estoque de capital físico do país). É a soma da formação bruta de capital fixo (FBKF) com a variação de estoque (De).

     

    2.0. A Contabilidade Nacional ou Social: tem por objetivo criar metodologias  que permitam a mensuração da produção global (agregada)  de um país durante determinado período de tempo.

     

    2.1. Gastos do Governo (G) ou Consumo Final das Administrações Públicas: São gastos com salários dos funcionários públicos e os gastos do governo com saúde pública, educação pública, defesa nacional, segurança pública, etc.

    Despesa (D):  É o destino da produção, isto é, as fontes que adquirem a produção. A despesa é a soma do consumo das famílias (C) mais investimentos das empresas (I), mais gastos do Governo (G), mais exportações líquidas (X – M).

    Matematicamente, temos a seguinte fórmula:

     

    D = C + I + G + X – M

     

    Onde:

     

    D = Despesa;

    I = Investimento;

    G = Gastos do Governo;

    X = Exportação;

    M = Importação.

     

    2.2. Produto Potencial: É aquele que a economia seria capaz de produzir utilizando todos os seus recursos disponíveis.

     

     

      

    Questões de Economia - Perguntas e Respostas

     
     
    Pergunta: Comente a Lei de Say, segundo os economistas neoclássicos.
     
    Resposta: Há uma aceitação da Lei de Say segundo as qual, ao considerarmos a economia em seu conjunto, a oferta cria sua própria demanda. Em outras palavras, ao produzirmos um bem ou serviço como, por exemplo, viagens, o próprio processo produtivo está criando poder de compra para produtos desse e de outros setores. Por outro lado, ao remunerarmos os fatores de produção que entram na fabricação dos produtos (terra, capital e trabalho), estaremos criando poder de compra para outros elementos que se inter-relacionam economicamente.
     
    Pode haver desequilíbrios, como uma empresa produzir muito mais ou muito menos produtos do que o necessário. Nesse caso, o desequilíbrio será corrigido pelo mecanismo de mercado, ou seja, o preço do produto irá diminuir ou aumentar, respectivamente, até que todas as viagens sejam vendidas.
     
    Os seguidores de Marshall adotaram o conceito teórico de concorrência perfeita, assumindo a necessidade de alguns requisitos para esse tipo de mercado: produtos homogêneos, empresas pequenas sem nenhum poder sobre o mercado, ausência de restrições externas à mobilidade dos fatores e conhecimento por parte dos agentes econômicos de todos os preços existentes no mercado.
     
    Tal modelo de concorrência perfeita não existe. É utópico e tem validade apenas para o estudo da teoria econômica pura.
     
    A partir de 1933, surgem outros estudos sobre o problema da concorrência imperfeita ou monopolística. Enquanto o monopólio caracteriza o tipo de mercado em que uma única empresa fabrica um produto diferenciado, singular e sem substitutos próximos, a concorrência imperfeita corresponde à situação mercadológica em que muitas empresas fabricam produtos diferenciados, com substitutos próximos e, por vezes, equivalentes, como é o caso de produtos de mercado turístico.
     
    Pergunta: O contexto econômico e social da época em que Keynes (1883 – 1946) desenvolveu suas abordagens macroeconômicas teóricas crítico. Por quê?
     
    Resposta: Keynes nasceu em Cambridge, na Inglaterra, e destacou-se por uma participação ativa nos muitos acontecimentos políticos, sociais e econômicos de sua época.
     
    A realidade dos fatos relacionados à situação conjuntural da economia dos principais países capitalistas, nesse momento era crítica. O desemprego na Inglaterra e em outros países da Europa era muito grande. Nos Estados Unidos, após a quebra da Bolsa de Valores de New York, o número de desempregados assumia proporções elevadíssimas.
     
    O contexto em que a obra de Keynes, Teoria geral do emprego, do juro e do dinheiro, é apresentada correspondia a uma economia em fase de recessão onde era enorme o desemprego de mão-de-obra e dos fatores produtivos, com a conseqüente queda da renda nacional de um país. Sua preocupação fundamental era determinar os principais fatores responsáveis pelo emprego em uma economia industrial moderna. Estudar, porém, o nível de ocupação é o mesmo que estudar o nível de renda e da produção nacional, pois Keynes assumia a teoria econômica no sentido macro e global.
     
    Segundo o pensamento keynesiano, um dos principais fatores responsáveis pelo volume do emprego é explicado pelo nível de produção nacional de uma economia, que por sua vez é determinado pela demanda agregada ou efetiva. No entanto, como ela é determinada, e quem determina?
     
    Suponhamos uma economia fechada simplificada, sem a participação do governo e do comércio exterior. Nesse caso, a demanda é composta por bens de consumo (C)  e bens de investimento (I)    
     
    Pergunta: A constante repetição de uma viagem, em curto intervalo de tempo, tem efeito análogo ao princípio da utilidade marginal decrescente estudado por Marshall? Explique como funciona.
     
    Resposta: Tal fato reveste-se de grande importância sob o aspecto psicológico e subjetivo da questão, especialmente estudado pelos efeitos do turismo. As viagens, quando realizadas repetidas vezes para um mesmo lugar, em curto período de tempo e sob as mesmas circunstâncias, incorrem no conceito de utilidade marginal decrescente. Ou seja, as primeiras unidades de consumo propiciarão uma satisfação que, ao decorrer do processo, decrescerão gradativamente até o momento de saturação.

    Questões de Economia - Perguntas e Respostas

     
     
    Pergunta: Como fase de transição, qual o principal significado da obra de John Stuart Mill (1806 –1873) para o contexto econômico e social da época?
     
    Resposta: Em sua obra mais famosa, intitulada Princípios da economia política, escrita em 1848, Mill sintetiza a doutrina clássica, destacando o pensamento econômico de seus antecessores. Hoje, vemos mais claramente que o resumo que fez dos estudos econômicos e políticos durante meio século foi necessário para complementar o processo de desintegração de doutrinas que, ao mudarem as condições econômicas tornaram-se, em muitos dos casos, inadequadas.
     
    A contribuição de Mill ao estabelecimento das bases da nova economia foi considerada relativamente insignificante, embora sua obra literária contenha um fundamento de significativo valor histórico. Por ter-se preocupado em condensar muitas das teorias de seus antecessores, sua formulações doutrinárias passaram a caracterizar-se como símbolo de ecletismo, com particularidades da tradição acadêmica inglesa.
     
    O fato de Mill ter abandonado o laissez-faire doutrinário diminuiu sua importância como representante do liberalismo do início do século XIX. Mesmo assim, as proposições centrais de sua teoria referem-se, de modo geral, à produção, ao valor, aos custos, aos fenômenos de mercado, da oferta e da procura, e ao nível geral de salários e renda.
    Em muitos casos, sua análise econômica é confusa e inconsistente, mas, apesar de seus efeitos analíticos, Mill deixou um legado extremamente valioso, especialmente se for considerado o forte sentido prático de busca pelo bem-estar social dos indivíduos em uma época de transição econômica.
     
    Pergunta: Qual a diferença entre o valor de uso e o valor de troca de uma mercadoria, segundo as formulações econômicas de Karl Marx (1818 – 1883)?
     
    Resposta: Marx nasceu em Tréves, na Renânia, ao sul da Alemanha. Desde a adolescência preocupou-se com a escolha de uma profissão, para a qual dizia existirem dois objetivos: o bem da humanidade e a realização pessoal.
     
    Fortemente influenciado por Hegel, ele manifestou desejo de conhecer profundamente o socialismo e a economia.
     
    Dos três volumes de sua obra mais famosa, O capital, só o primeiro foi publicado em vida. Nesse livro, os conceitos mais importantes estudados por Marx foram: o capital, o valor, a classe social, a mais-valia, a força de trabalho e a mercadoria.
     
    Para Marx, o fator produtivo capital surge com a burguesia, considerada uma classe social que se desenvolve após o desaparecimento do sistema feudal e que se apropria, principalmente, dos meios de produção. A outra classe social, o proletariado, é obrigada a vender sua força de trabalho, dada a impossibilidade de produzir o necessário para sobreviver.
     
    Com base nessa relação, consideram-se como principais meios de produção: o capital e a força de trabalho, que é considerada uma mercadoria. Nesse modelo de capitalismo puro, só existem duas classes sociais: os proprietários dos meios de produção, considerados capitalistas, e os proprietários da força de trabalho, considerados operários.
     
    Marx foi influenciado pelos movimentos socialistas utópicos, por Hegel e pala teoria do valor trabalho de David Ricardo. Acreditava no trabalho como determinante do valor, tal como Smith e Ricardo, mas era hostil ao capitalismo competitivo e à livre concorrência, afirmando que a classe trabalhadora era explorada pelos capitalistas.
     
    Para este filósofo os bens têm diferentes valores de uso, mas devem ter o mesmo valor de troca. Considerava “valor de uso” a capacidade de um bem responder às necessidades dos indivíduos; e “valor de troca” a qualidade de um bem ser equivalente a outro com o qual pode ser trocado comercialmente.
     
    Contudo, quem determina o valor de cada mercadoria?
     
    De acordo com a teoria marxista, o valor de uma mercadoria deveria ser igualado ao tempo de trabalho socialmente necessário para sua produção.
     
    Dessa forma, podemos considerar o conceito da mais-valia como a principal teoria de Marx. Refere-se à diferença entre o valor das mercadorias que os trabalhadores produzem em dado período de tempo e o valor da força de trabalho vendida aos empregadores capitalistas que a contratam. Os lucros, juros e aluguéis (rendimentos de propriedades) representam a expressão da mais-valia. Assim, o que excede  o valor da força de trabalho e vai para as mãos dos capitalistas é definido por Marx como a mais-valia. Ela pode ser considerada o valor extra que o trabalhador cria, além do valor pago por sua força de trabalho.
     
    Pergunta: Qual o economista que pode ser considerado o fundador do neoclassicismo, e qual foi sua principal obra?
     
    Resposta: Alfred Marshall (1842 – 1924) é representado como o fundador do neoclassicismo que se desenvolveu a partir da segunda metade do século XIX, por volta de 1870, com destaque nas teorias microeconômicas.
     
    Planejava dedicar-se ao clero, mas tornou-se matemático influenciado pelas idéias darwinianas e interessou-se pela economia depois de ler o trabalho de John Stuart Mill sobre a economia política. Em seus estudos, empenhou-se na busca de uma melhoria do bem-estar da humanidade com o utilitarismo de Mill e a abordagem analítica baseada no ricardianismo.
     
    Sua obra principal, intitulada Princípios da economia, publicada em 1890, visava ao estudo da economia como ciência do comportamento humano. Reconhecia a complexidade do sistema econômico e a diversidade da motivação do comportamento humano, considerando necessário criar técnicas específicas para seu estudo.
     
    A preocupação principal de Marshall e de seus contemporâneos neoclássicos passa a ser a alocação ótima de recursos entre fins alternativos. Segundo eles, os clássicos não conseguiram resolver alguns problemas econômicos, como o paradoxo da água e do diamante. Smith percebeu que a água era extremamente útil, mas não possuía poder de compra; em compensação, o diamante, não sendo essencial à vida (serventia) possuía um preço (valor) muito elevado. Resumindo, a água tinha valor de uso, mas não tinha valor de troca. E, de forma inversa, o diamante.
     
    O entendimento dos neoclássicos, especificamente de Alfred Marshall, deu-se em função dos conceitos de escassez e de acréscimos marginais. Bens econômicos são bens escassos e terão maior valor quanto maior for sua escassez. Demonstra que a utilidade diminui à medida que aumenta a quantidade de consumo de determinado bem a nossa disposição. Por exemplo, suponha que você esteja no deserto com muita sede e na há água. Nesse contexto, a água é um bem econômico extremamente valioso e útil.
     
    O primeiro copo de água é de muita utilidade, ou seja, tem muito valor. O segundo copo será de maior utilidade que o terceiro, mas de menor valor que o primeiro. Os outros copos (quarto, quinto, sexto etc.) irão perdendo sua utilidade à medida que forem sendo consumidos. Cada copo de água adicional trará uma satisfação adicional, denominada “marginal”, mas essa utilidade extra vai decaindo com o consumo de sucessivos copos de água, considerados em determinado momento de tempo.
     
    Tal fato reveste-se de grande importância sob o aspecto psicológico e subjetivo da questão, especialmente estudado pelos efeitos do turismo. As viagens, quando realizadas repetidas vezes para um mesmo lugar, em curto período de tempo e sob as mesmas circunstâncias, incorrem no conceito de utilidade marginal decrescente. Ou seja, as primeiras unidades de consumo propiciarão uma satisfação que, ao decorrer do processo, decrescerão gradativamente até o momento de saturação.
     
    Devemos considerar que o valor de cada bem ou serviço passa a depender do momento, do estado psicológico das pessoas envolvidas e da força de atração que cada produto exerce sobre os indivíduos em determinadas situações. Em nosso exemplo, para a pessoa com sede no deserto, a água é mais valiosa que o diamante. Ou seja, segundo os neoclássicos, o valor dos bens e serviços tem relação com as necessidades dos indivíduos em determinado momento temporal.
     
    Segundo o assim chamado movimento marginalista, a economia passa a ser considerada uma técnica para a alocação ótima de recursos escassos entre usos alternativos. Ela aceita a sociedade como um sistema dado, não questiona a relações de classe e visa ser operacional dentro desse contexto.
     
    Os principais elementos microeconômicos e macroeconômicos, tiveram suas origens na ideologia neoclássica e, principalmente, no pensamento econômico de Marshall.
     
    Sob o enfoque da análise macroeconômica, na relação entre as unidades familiares (indivíduos) capazes de fornecer os fatores de produção e a unidades produtoras (empresas) fornecedoras de bens e serviços, ocorre um fluxo circular de renda nacional, no qual os indivíduos procuram maximizar a satisfação por bens e serviços, e as empresas, maximizar os lucros.
     
    Sob o enfoque da análise microeconômica, os neoclássicos preocupam-se em estudar o comportamento econômico dos indivíduos (consumidores) e das empresas (produtores). Conseqüentemente, dá-se especial atenção ao problema da determinação do preço e do equilíbrio de mercado por meio de suas principais variáveis econômicas: a demanda e a oferta.
     
    Pergunta: Comente o que entende sobre o paradoxo da água e do diamante.
     
    Resposta: A preocupação principal de Marshall e de seus contemporâneos neoclássicos passa a ser a alocação ótima de recursos entre fins alternativos. Segundo eles, os clássicos não conseguiram resolver alguns problemas econômicos, como o paradoxo da água e do diamante. Smith percebeu que a água era extremamente útil, mas não possuía poder de compra; em compensação, o diamante, não sendo essencial à vida (serventia) possuía um preço (valor) muito elevado. Resumindo, a água tinha valor de uso, mas não tinha valor de troca. E, de forma inversa, o diamante.
     

    Questões de Economia - Perguntas e Respostas

     
     
    Pergunta:  No que consistia o chamado laissez-faire da escola clássica?
     
    Resposta: Consistia na existência de livre iniciativa do mercado.
     
    Pergunta: Segundo Adam Smith, qual era a causa das riquezas das nações na época clássica? Por quê?
     
    Resposta: Considera como causa da riqueza das nações o trabalho humano; assume a divisão do trabalho como um dos fatores decisivos na geração do produto nacional, e do aumento da destreza pessoal, economia de tempo e condições favoráveis para o aperfeiçoamento de novas técnicas.
     
    Referindo-se a esse último argumento, cita um clássico exemplo: o da fábrica de alfinetes. Para Adam Smith, um operário sozinho não treinado para essa atividade, nem familiarizado com as máquinas, dificilmente poderia fabricar 200 alfinetes em um dia. No entanto, divididas em 18 operações de produção, 10 pessoas especializadas conseguiriam executar o mesmo serviço, produzindo mais de 48 mil alfinetes por dia.
     
    A idéia do economista era clara. A produtividade decorre da divisão de trabalho, e esta, por seu lado, de tendências inatas de troca que, finalmente, é estimulada pela ampliação dos mercados. Assim, é necessário ampliar os mercados e as iniciativas privadas para que a produtividade e a riqueza sejam incrementadas.
     
    Outras considerações, levantadas por Smith, referem-se às leis de mercado e à “teoria da mão invisível”, afirmando que todo indivíduo age pela expectativa de recompensa, e que a busca do próprio interesse levaria à harmonia social, bem como o choque entre o egoísmo e a competição conduziria o mundo a uma situação melhor. De forma oculta, por vezes imperceptível, essa tendência auto-ajustaria o mercado, criando condições de bem-estar geral para o país e seus indivíduos. As leis do mercado não devem sofrer intervenções e a própria economia se direcionará por si mesma para o melhor caminho, guiada por uma espécie de “mão invisível”.
     
    Pergunta: O que se entende por divisão social do trabalho como fator responsável pela geração de um produto?
     
    Resposta: Assume a divisão do trabalho como um dos fatores decisivos na geração do produto nacional, e do aumento da destreza pessoal, economia de tempo e condições favoráveis para o aperfeiçoamento de novas técnicas.
    Referindo-se a esse último argumento, cita um clássico exemplo: o da fábrica de alfinetes. Para Adam Smith, um operário sozinho não treinado para essa atividade, nem familiarizado com as máquinas, dificilmente poderia fabricar 200 alfinetes em um dia. No entanto, divididas em 18 operações de produção, 10 pessoas especializadas conseguiriam executar o mesmo serviço, produzindo mais de 48 mil alfinetes por dia.
     
    A idéia do economista era clara. A produtividade decorre da divisão de trabalho, e esta, por seu lado, de tendências inatas de troca que, finalmente, é estimulada pela ampliação dos mercados. Assim, é necessário ampliar os mercados e as iniciativas privadas para que a produtividade e a riqueza sejam incrementadas.
     
    Outras considerações, levantadas por Smith, referem-se às leis de mercado e à “teoria da mão invisível”, afirmando que todo indivíduo age pela expectativa de recompensa, e que a busca do próprio interesse levaria à harmonia social, bem como o choque entre o egoísmo e a competição conduziria o mundo a uma situação melhor. De forma oculta, por vezes imperceptível, essa tendência auto-ajustaria o mercado, criando condições de bem-estar geral para o país e seus indivíduos. As leis do mercado não devem sofrer intervenções e a própria economia se direcionará por si mesma para o melhor caminho, guiada por uma espécie de “mão invisível”.
     
    Pergunta: O que é teoria das vantagens comparativas de acordo com as idéias econômicas de David Ricardo (1172 – 1823)?
     
    Resposta: Nasceu na Holanda e fez fortuna como corretor na Bolsa de Valores de Londres. Sofreu enorme influência da obra de Adam Smith e, em 1817, publicou Princípios da economia política e da tributação, cuja principal contribuição econômica foi baseada na teoria da distribuição do excedente entre as diversas classes sociais.
     
    Seus propósitos mais valiosos referem-se à teoria do valor e à teoria da repartição. A primeira assume que o valor de uma mercadoria é determinada pela quantidade de trabalho nela incorporada, ou seja, o valor é dado pelo custo do trabalho. Basicamente, atrás do preço de uma mercadoria encontra-se o valor, atrás do valor estão os custos de produção, e atrás de ambos aparece o trabalho humano.
     
    Com relação à segunda teoria, referente à repartição, Ricardo pretendia, como Smith, estudar as leis que regulamentam a divisão do produto nacional entre as diversas classes sociais, que, para ele, seriam três tipos: dos latifundiários, dos capitalistas e dos operários.
    Percebendo o conflito de interesses entre essas classes, tomou posição a favor dos capitalistas contra os latifundiários, porque, segundo sua teoria, o crescimento econômico só é possível com o investimento, e o investimento é parte do lucro aplicado na produção. Deu ainda atenção especial à teoria das vantagens comparativas, considerando que, se os países se especializassem na produção do que estão mais aptos a fazer e em seguida trocassem suas mercadorias, todos obteriam maiores benefícios.
      
    Pergunta: Por que os estudos de Thomas Malthus (1766 – 1834) preocupavam-se com o excesso populacional e quais as soluções por ele propostas para conter esse crescimento?
     
    Resposta: A economia pós-smithiana, tendo em Malthus seu principal representante, era predominantemente pessimista.
    Malthus foi contemporâneo de Ricardo e, como integrante das idéias da escola clássica, lecionou História e Economia Política.
     
    Em lugar da “mão invisível”, ele dá atenção especial à necessidade da adaptação humana às exigências da natureza. Não havia, como Smith pregava, harmonia assegurada e o homem deveria criar melhores condições de vida para sua subsistência.
     
    Do ponto de vista moral, somente o indivíduo podia julgar as ações que lhe davam maior prazer, quais eram as melhores para satisfazer suas necessidades. Nesse caso, os egoísmos que motivam a conduta humana poderiam entrar em conflito e, para evitar isso, a instrução e a legislação ajudariam a influenciar as pessoas, conciliando a felicidade individual com o bem-estar social.
     
    Para Malthus, a causa de todos os males estava na procriação e na fertilidade humana, e esse era um problema social que precisava ser resolvido. Suas análises voltaram-se para a preocupação com o excesso populacional, considerando que, enquanto o aumento da população seguia em progressão geométrica, a produção de alimentos seguia em progressão aritmética. Assim, o potencial de crescimento da população, já que a oferta da terra era limitada, Malthus propunha que o indivíduo fosse educado para que adiasse o casamento. E mais, aceitava as guerras com a conseqüente dizimação dos povos como uma das soluções para interromper o crescimento populacional e disponibilizar recursos econômicos para todos.
     
    Suas idéias mais importantes referem-se aos problemas da superprodução. No entanto, como resolvê-los?
    Com os crescentes processos produtivos, e o salário do trabalhador em nível de subsistência, o indivíduo não conseguiria comprar os produtos que o sistema produzisse. Para não ocasionar a superprodução, ele alegava ser necessário um aumento da demanda de bens de consumo, eventualmente por meio dos indivíduos que detinham a renda da terra, ou seja, os latifundiários. Com essa lógica, tomou partido em favor dessa classe social, participando, como outros clássicos, de diversos movimentos políticos e sociais da época.

    Questões de Economia - Perguntas e Respostas

     
     
    Pergunta: Descreva as principais características do mercantilismo e da fisiocracia como doutrinas econômicas?
     
    Resposta: O mercantilismo, como doutrina econômica do final do século XVII, também chamada de metalismo, preocupava-se com a política econômica de saldos favoráveis na balança comercial, com o estoque de metais preciosos e com o poder do Estado. Considerava que o governo de um país seria mais forte e poderoso quanto maior fosse seu estoque de metais preciosos.
     
    Para que isso ocorresse, os governantes deveriam enfatizar a importância do comércio, estimular as exportações e restringir as importações. No entanto, como as importações de determinado país são as exportações de outro, essa política econômica não poderia funcionar, como de fato aconteceu.
     
    Nesse momento, os deslocamentos e as viagens marítimas tinham exclusivamente interesses comerciais de obter cada vez mais riqueza por meio da acumulação de ouro, prata e outros metais preciosos. Com essa intenção, o mercantilismo estimulou lutas, invasões, guerras, exacerbou o nacionalismo, mantendo uma poderosa e constante presença governamental do Estado em todos os assuntos relacionados à economia.
     
    A Fisiocracia – A reação contra os mercantilistas surgiu no início do século XVIII com as idéias dos fisiocratas. A fisiocracia sugeria desnecessidade de os governos serem reguladores, pois a lei da natureza era suprema e tudo o que fosse contra ela seria derrotado. A função do soberano era servir de intermediário para que as leis da natureza fossem cumpridas.
     
    O termo fisiocracia significava regra da natureza, e estava associado principalmente à figura de François Quesnay, que, por meio de experiências anteriores com a lavoura, e valendo-se da primazia da natureza, interessou-se pela má situação dos camponeses franceses. Visto que a economia francesa era basicamente agrária, a reação contra o mercantilismo foi bem mais violenta na França do que na Inglaterra.
     
    Para os fisiocratas, a riqueza consistia em bens produzidos com a ajuda da natureza em atividades econômicas como a lavoura, a pesca e a mineração. Portanto, encorajava-se a agricultura e exigia-se que as pessoas empenhadas no comércio e nas finanças fossem reduzidas ao menor número possível. Em um mundo constantemente ameaçado pela falta de alimentos, com excesso de regulamentação e intervenção governamental, a situação não se ajustava às necessidades da expansão econômica. Para os fisiocratas, só a terra tinha capacidade de multiplicar a riqueza econômica.
     
    Adam Smith admirava em muitos aspectos a fisiocracia, mas não concordava com o conceito de riqueza originada somente pelo setor agrícola. A produtividade não é apenas uma conseqüência da natureza, já que também o arado, o trator, os fertilizantes e a genética podem ajudar a multiplicar as colheitas. Tal fato, assumido como um fator tecnológico de tanta importância, não foi objeto de estudo dos fisiocratas que relegaram a análise técnica em suas formulações econômicas.
     
    Pergunta: Cite e explique as principais idéias econômicas de Adam Smith (1723 – 1790).
     
    Resposta: Entre 1770 e 1830, a situação social da população mundial era terrível. Na Inglaterra, a miséria era generalizada, assim como a exploração dos trabalhadores e a falta de alimentos. A jornada de trabalho era, normalmente, de 16 horas por dia, e eram péssimas as condições de higiene e os costumes. A distribuição da riqueza era desigual para as diversas classes sociais e a situação geral era de calamidade.
     
    Nesse contexto crítico nasceu em Kirkcaldy, na Escócia, em 1723, o mais famoso dos economistas da escola clássica: Adam Smith.
    Aos 14 anos ingressou na Universidade de Glasgow, onde demonstrou um brilhantismo discente. Em 1740, aceita uma bolsa para prosseguir seus estudos em Oxford, no Balliol College, onde seis anos depois abandona pelo condicionamento religioso que a instituição impunha.
     
    Passa a proferir uma série de palestras em Edimburgo e, em 1751, assume a cadeira de Lógica e, posteriormente, de Filosofia Moral, em Glasgow.
     
    Com a publicação da Teoria dos sentimentos morais, em 1759, consegue grande respeito e destaque acadêmico, como pensador de primeira grandeza. Recebe, então, um convite do Ministro das Finanças da Inglaterra para tutorar seu enteado, o Duque de Buccleugh, em troca de uma irrecusável pensão. Smith renuncia sua cadeira na Universidade e parte para uma viagem de estudo de dois anos e meio Buccleugh para França. Realiza um grande tour por Bordeaux, e, em Genebra, conhece Voltaire, por quem passa a demonstrar admiração e respeito. Em seu retorno, reconhecido intelectualmente em Paris, amplia contatos influentes com François Quesnay e outros eminentes fisiocratas.
     
    Discordando de um desastroso projeto de Townshend quanto à importação de um imposto adicional sobre a importação americana de chá, deixa Londres.
     
    Retorna à Kirkcaldy, onde conclui o manuscrito de sua mais famosa obra, Uma indagação sobre a natureza e a causa das riquezas das nações. De início, o livro não causou muito impacto, mas, posteriormente, por fatores conjunturais, sua obra passa a ser reconhecida como um dos maiores marcos da história econômica. Era um ataque declarado às políticas mercantilistas, protestava contra as regulamentações, contra a intervenção do governo na economia e contra as leis que dificultavam a mobilidade da força de trabalho.
     
    Em 1787, é nomeado reitor da Universidade de Glasgow, vindo a falecer aos 66 anos de idade.
     
    A teoria econômica apresenta A riqueza das nações como uma teoria do crescimento econômico, argumentando como principais idéias:
     
    a) o bem-estar das nações ser identificado com seu produto anual per capita;
    b) considera como causa da riqueza das nações o trabalho humano;
    c) a existência de livre iniciativa do mercado, também denominada laissez-faire;
    d) assume a divisão do trabalho como um dos fatores decisivos na geração do produto nacional, e do aumento da destreza pessoal, economia de tempo e condições favoráveis para o aperfeiçoamento de novas técnicas.
     
    Referindo-se a esse último argumento, cita um clássico exemplo: o da fábrica de alfinetes. Para Adam Smith, um operário sozinho não treinado para essa atividade, nem familiarizado com as máquinas, dificilmente poderia fabricar 200 alfinetes em um dia. No entanto, divididas em 18 operações de produção, 10 pessoas especializadas conseguiriam executar o mesmo serviço, produzindo mais de 48 mil alfinetes por dia.
     
    A idéia do economista era clara. A produtividade decorre da divisão de trabalho, e esta, por seu lado, de tendências inatas de troca que, finalmente, é estimulada pela ampliação dos mercados. Assim, é necessário ampliar os mercados e as iniciativas privadas para que a produtividade e a riqueza sejam incrementadas.
     
    Outras considerações, levantadas por Smith, referem-se às leis de mercado e à “teoria da mão invisível”, afirmando que todo indivíduo age pela expectativa de recompensa, e que a busca do próprio interesse levaria à harmonia social, bem como o choque entre o egoísmo e a competição conduziria o mundo a uma situação melhor. De forma oculta, por vezes imperceptível, essa tendência auto-ajustaria o mercado, criando condições de bem-estar geral para o país e seus indivíduos. As leis do mercado não devem sofrer intervenções e a própria economia se direcionará por si mesma para o melhor caminho, guiada por uma espécie de “mão invisível”.
     
    Outra idéia abordada por Smith na obra A riqueza das nações refere-se ao papel do Estado na economia que deveria corresponder exclusivamente à proteção da sociedade contra eventuais ataques de inimigos e à criação e manutenção de obras sociais e instituições necessárias. Seu pensamento econômico assume a idéia da não-intervenção governamental nas leis de mercado, ou seja, do relacionamento da demanda e da oferta na prática econômica.
     
    Com toda a sua grandiosidade ao valor do trabalho humano como fonte de riqueza, todavia, a obra principal de Smith não previu o advento tecnológico que a Revolução Industrial iria, posteriormente, desencadear na vida social e econômica de gerações posteriores.
    Do ponto de vista evolutivo das viagens e dos deslocamentos humanos, a época de Smith, ao final do século XVIII, destaca também a busca de reflexões sob o enfoque cultural e econômico. O grand tour, que ele mesmo realizou, acompanhando a tendência da aristocracia inglesa e francesa, objetivou o desenvolvimento intelectual da educação dos jovens que estavam sendo preparados para assumir o reinado e precisavam conhecer as dimensões e o valor de sua riqueza, tanto em limites geográficos, como em números de trabalhadores.